Páginas

Liberdade: fruto de uma conquista

Esses dias eu estava no facebook, vi a imagem de uma campanha polêmica comparativa entre um "artista" e um "político", porém, vale ressaltar que "todo artista é político, dentro de si" pois, como nos ensinou o pensador Filosofo Aristóteles, "o Homem é um animal político", e "praticar política é um ato artístico por si só", ou seja, rotular alguém de artista, ou de político, não passa de "estereótipo" social, normal na nossa sociedade,  apenas uma linguagem cultural de fácil entendimento, rotular facilita a compreensão das pessoas.

Bom, meus comentários talvez tenham sido interpretados de forma equivocada por alguns adolescentes que estavam participando da postagem na rede social, e no final das contas o debate saiu do foco e encerrou com a participação de uma "artista" defendendo a "anarquia" como um sistema de governo ideal.

Não vou entrar em detalhe nesta postagem sobre o que significa a anarquia, mas eu entendo que o que eles gostariam de dizer ali é que eles são a favor de uma sociedade "sem governo", sem leis, sem regras, na realidade, uma tremenda utopia.
Seria ideal, claro, se os homens fossem bons suficientemente morais e éticos para viver em paz cumprindo com seus deveres, para que todos pudessem ter os mesmos direitos, infelizmente é apenas um sonho pensar que podemos chegar nesta realidade de viver num sistema de auto-gestão, com certeza seria o ideal, mas estamos longe de alcançá-lo, pois primeiro as pessoas precisam buscar o auto-conhecimento.

A juventude precisa estar ciente da sua responsabilidade no Mundo, não vamos viver numa anarquia, temos um governo e vocês precisam escolher que tipo de governo vocês querem, para melhorar o país, o Estado, sua cidade. Votar é exercer a cidadania e contribuir com o desenvolvimento da nação. Participem de ações sociais, mobilizações, reflitam sobre o papel de vocês na sociedade, libertem-se no pensamento individualista, pense que a sociedade é uma soma de forças e a união faz a força.

Para eles, a anarquia, sendo uma forma ideal de viver em sociedade, ou seja, sem governo, é um Mundo de liberdade, porém, este sistema poderia gerar conflitos e confusões, o que seria algo prejudicial as pessoas, a segurança e o conforto, são necessários, por isso é importante que seja estabelecido uma ordem para construir a sociedade, se não, quem iria se prontificar a realizar as ações? Analise hoje, como está o nível de participação das pessoas em trabalhos voluntários...




Artigo escrito por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol), recomendo. 


Leia abaixo:

Em seu constante ir-e-vir por este mundo, o homem conquista muitos bens espirituais, morais e materiais, que depois perde se não sabe fazer deles o devido uso, ou abusa das perspectivas que tais bens lhe abrem no terreno de suas possibilidades. Entre esses bens, existe um que, indubitavelmente, é o que dá conteúdo à vida e permite a ela alcançar seu mais alto expoente no homem como ser racional e espiritual: a liberdade.

É este um bem que, justamente por dar à vida seu conteúdo essencial, pode qualificar-se como supremo, pois enquanto é desfrutado existe paz e alegria em todos os corações.

Deve ser cercada de garantias e mútuo respeito entre os homens

O que expõe ao perigo de perder essa liberdade, temporária ou definitivamente, é, repetimos, o abuso ou mau uso que dela se faz, o que ocorre por não se considerar, ou por se esquecer ou ignorar, que a liberdade deve ser cercada pelo máximo de garantias e pelo mútuo respeito entre os homens e os povos.

A liberdade, que é o fruto de uma conquista que o homem fez ao cultivar sua inteligência, elevar sua moral e estender a cultura por todos os pontos da Terra, contribui para manter o equilíbrio entre seus deveres e seus direitos. Por exemplo, se tomamos o caso de um homem que, no aspecto econômico, vive folgada e livremente graças a ganhos que cobrem seu orçamento e lhe permitem desfrutar um saldo positivo, temos que, a não ser por motivos de força maior, ele sempre estará em condições, nesse particular, de se desenvolver com liberdade. Mas se, em determinada circunstância, começa a exceder-se nos gastos – não porque se vê obrigado a isso, mas porque, desviado de sua realidade, confia em novos proventos ou numa capacidade que não tem para livrar-se de dificuldades –, chegará um momento em que seu superávit se terá esfumado, e se verá em sérios apertos para cobrir suas despesas.

As consequências estão neste caso bem à vista, porquanto à medida que se foi criando e ampliando o problema econômico, que antes não existia, a liberdade desfrutada até então foi-se limitando, ao estreitar-se cada vez mais dentro de um círculo em que a existência se tornou cada dia mais precária.

Pois bem; para reconquistar essa liberdade perdida, será necessário voltar aos caminhos da anterior conduta administrativa, empenhando-se com redobrados esforços, e até com sacrifícios, para alcançar a situação que foi perdida por culpa da imprevisão.

O que acabamos de expor pode ser aplicado a todos os aspectos da vida do homem e dos povos, e merece ser tido em conta, porquanto se sabe quanto custa voltar a desfrutar a liberdade quando ela foi perdida, por dela se ter abusado ou feito um uso indevido.

Os homens e os povos nasceram para ser livres, e, quando forças estranhas ou alheias a suas vontades ameaçam extinguir essa liberdade, a alma humana sobrepõe-se a todas as contingências e a todos os sacrifícios, para que ela seja como deve ser; como é: um bem supremo, que ninguém poderia renegar sem prejudicar seriamente sua natureza humana e seu destino.

Trechos extraídos do artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 1 p. 207