O senador Cristovam Buarque(PDT-DF) lança nesta quarta-feira o livro A Revolução Republicana na Educação. Parte de uma observação: o Brasil chegou à República por um golpe de Estado, mas não fez o que seriam as revoluções republicanas. Por isso, o País é o primeiro no futebol, mas o 88º na educação.
SÓ A BOLA É REDONDA PARA TODOS
Para Cristovam, o motivo é simples. A bola é redonda para todos, todos começam a jogar aos quatro anos e só abandonam quando querem. Já a escola é redonda para alguns e quadrada para muitos, pois varia conforme a renda e o local onde está. Há quem comece aos dois anos, na pré-escola, e que segue em escolas confortáveis e com professores dedicados. E há quem comece aos sete, passando por prédios decadentes e por dias com apenas duas horas de aula.
QUEM FICA MAIS NA ESCOLA
O livro mostra com números essa desigualdade. Por exemplo, em 2009, a média de escolaridade da população brasileira era de sete anos e meio. Entretanto, os negros e pardos só ficavam 6,7 anos na escola, enquanto os brancos chegavam a 8,4 anos. Os que estavam na faixa dos 20% mais pobres tinham 5,3 anos de escolaridade, enquanto os 20% mais ricos tinham praticamente o dobro, 10,5 anos. REPRODUÇÃO DA DESIGUALDADE
Essa tendência tende a se reproduzir. Tanto menos anos de escolaridade tenham os mais, menos escolaridade terão também os filhos. A probabilidade de que o filho de alguém com dois anos de escolaridade fique por 16 anos na escola é de apenas 1,1%. Isso significa completar escola superior Já quem tenha pai com dez anos de escolaridade chega à probabilidade de 30,9% de estudar pelos mesmos 16 anos. Se os pais tiverem superior completo, ou seja, os 16 anos de escolaridade, a proporção sobe para 60%.
ELEVAÇÃO DO INVESTIMENTO
Para se enfrentar esse problema, o senador propõe a Revolução Republicana na Educação, que envolve a implementação de Cidades com Escola Ideal. O custo seria de R$ 40 bilhões no primeiro ano. Parte desse investimento se dirigiria a uma Carreira Nacional do Magistério, com um salário mensal de R$ 9 mil. Haveria a partir daí uma evolução da fatia do PIB aplicada em educação, que saltaria de 3,8% no primeiro ano para 6,4% no vigésimo.
